Vamos falar de… (1)

em 10.4.14
Best-Sellers – loteria, perspicácia ou talento?



Caminhando pela livraria, percebi a infinidade de livros de sucesso nas prateleiras, prontinhos para irem às cabeceiras dos leitores compulsivos como eu. 

Sinto até aquela vontade insana de levar todos comigo. E muitos deles são trilogias e sagas de cincos, seis, sete e até dez livros.

Mas, então, me deparo com uma pergunta: Como tantos autores conseguem esse sucesso gigantesco num mercado literário que é tão concorrido e cheio de exigências? 


Vou supor algumas respostas:

Certa vez vi uma entrevista de uma roteirista de novelas muito famosa, que disse: “Novela é loteria”. Pois bem, isso caberia aos livros também? Os autores talvez estejam escrevendo às cegas em busca de um sucesso que eles mesmos sabem que é difícil, mas mesmo assim arriscam. Demoram anos numa obra sobre a qual não se tem a certeza de que cativará a todos. Todavia, no momento mais inesperado… Bum! Acertam os números da loteria das letras e ganham o prêmio: milhões de livros vendidos e fãs no mundo todo. Soa fácil? Mas não é.

Outra hipótese é a da perspicácia. Um professor de Literatura, um dia, comunicou à sua turma – composta por vários jovens alunos, inclusive eu – que tinha a fórmula secreta para fazer sucesso, ganhar dinheiro e nunca mais precisar trabalhar: escrever! “Só isso, queridos aprendizes”.

Mas que piada, pensei eu. Se for assim, será moleza!

Só depois percebi que não era bem deste jeito. Meu professor completou o assunto com os “passos para lançar uma saga de sucesso”. Resumidamente, precisa-se criar uma personagem órfã que necessita combater o mal, por exemplo um vilão, e possuir a ajuda de um mago especial, que no final deve morrer para salvá-lo. Sim, amigos leitores, meu sábio professor acabou entregando que, para se alcançar o sucesso, precisamos ser a J. K. Rowling ou o J. R. R. Tolkien e criar histórias fantásticas como as deles. Mas, sabe, ainda não achei agradável essa resposta. Torna as coisas tão comerciais defini-las por uma fórmula secreta. No entanto, eu compreendi o que ele quis dizer, por fim. O escritor perpicaz dá ao público o que eles querem e gostam. O que fez sucesso uma vez, fará de novo e de novo.
Mesmo assim, ainda não me entra na cabeça que seja só isso.

Eu gosto de escrever, mas não é o suficiente para lançar um Best-Seller. O talento de um escritor, que consegue prender o leitor, é muito importante. Aquele que te faz viajar sem sair do lugar, visitar planetas e países que você nunca imaginou que um dia estaria, esse sim tem as chances – ainda que mínimas – de ser reconhecido. Autores que escrevem diálogos maravilhosos ou descrições magníficas fazem o leitor se apaixonar pela história, mesmo que o enredo vá contra os princípios da tal fórmula secreta, e com certeza mereceriam ter sucesso. O livro Lolita, de Vladimir Nabokov, está aí e não me deixa mentir a respeito.

Presumo não existir resposta certa para o sucesso de um livro, mas se você gosta de escrever e tem esse sonho, vá atrás dele e dedique-se de corpo e alma! Futuramente, o sucesso será consequência.





Essa foi a primeira edição da coluna Vamos falar de… :)
Gostei da reflexão da Ariadny, sobre o que estaria envolvido no sucesso de um livro.
E você? O que achou?
Deixe seu comentário!

23 comentários:

  1. Bom dia!
    Nunca tinha parado pra pensar sobre como surgem best-sellers, mas enquanto lia sua postagem comecei a pensar que os autores já sabem (ou pelo menos possuem uma noção) do que os leitores esperam e gostariam de ler (levando em consideração os livros mais vendidos e analisando os enredos). Muitos best-sellers possuem um mesmo esqueleto, digamos assim. Nós sabemos que a história X (que é um lançamento, onde a editora trabalhou muito no marketing) é bem parecida com a história Y (um livro que já fora lançado e está nas lista dos mais vendos do The New York Times). Então acho que, quando seu professor falou sobre ser o Tolkin ou a J.K, ele se referia a algo parecido com isso (posso estar errada, mas foi essa conclusão que tive). Pode reparar: novelas, na maioria das vezes, possuem um mesmo enredo, onde podemos enxergar nitidamente a mudança nos personagens e suas ações. Sempre temos um 'bom', um 'mau', alguém que todo mundo jurava ser o vilão e se torna o salvador da pátria (e vice versa), um casal que precisa ficar junto mas que é muito difícil e por ai vai. *ufa, acho que falei demais, mas acho que consegui expressar meus pensamentos haha*

    Beijos, adorei o post de estréia!
    Blog Procurei em Sonhos

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    1. Corrigindo, escrevi na pressa :p

      Tolkien*

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    2. Concordo com você!
      Obrigada por ler! Abraço!

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  2. Belíssima postagem.
    Na minha opinião, há mais um fator a ser analisado: o mercado.
    O mercado literário está sempre tentando inventar best seller, repetir o sucesso de outros escritores. Um exemplo claro é a saga crepúsculo. Quantos livros/sagas adolescentes de vampiros foram publicados após o sucesso da série de Stephenie Meyer?
    Isso, infelizmente, reduz as chances dos autores que realmente escrevem algo original, já que as grandes editoras estão sempre à procura de um sucesso certo e seguro, evitando se arriscar com histórias novas e diferentes.

    O jeito é continuar tentando.

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    1. Samuel, você olhou o lado comercial. É um ponto muito válido também!
      Obrigada por ler!
      Abraço!

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  3. Gostei bastante da postagem! E me identifiquei, afinal, eu também sou escritora.
    Acho que o seu professor quis dizer é que o clichê atraia bastante as pessoas. É um fórmula pronta, onde se altera uma coisa ou outra.
    Quantas histórias não existem em que os protagonistas são órfãos? A gente perde a conta! (Isso não inclui só livros não, são filmes, animes e séries.)
    E concordo com você que o autor tem que prender o leitor.
    Beijos!

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    1. E não é mesmo Ane?
      Obrigada por ler, querida.
      Abraço!

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  4. Adorei sua postagem, ontem mesmo ouvi de uma amiga escritora que ela escreve o que sabe que seu público leria com certeza, então seu professor estava certo,rs.
    bjs
    http://ateliedoslivros.blogspot.com.br/

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    1. Eu acho isso meio ruim, porque não abre portas pra quem é original.
      Obrigada por ler, querida. Vou checar seu blog ;) Esse é o meu pessoal http://blogdalivrolina.blogspot.com.br/
      Obrigada por ler.
      Abraço!

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  5. Adorei a postagem e a reflexão sobre o assunto! Sabe que é uma coisa que às vezes passa pela minha cabeça? Claro que eu nunca fiz uma análise tão profundo kk mas adorei ver como analisa esse ponto e concordo com tudo o que disse!
    Adorei ver sua análise e espero acompanhar mais da sua coluna, que ó, tem tudo para ser um sucesso! *-*

    Mil beijos!

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    1. Vou acompanhar a sua coluna também, pode deixar!
      Obrigada por ler,
      Abraço!

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  6. Gente o sucesso vem a parti de marketing crepúsculo e 50 tons prova isso u.u kkkl

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  7. Ariadny, achei sua postagem muito válida, mas devo dizer que o segredo principal para um livro de sucesso que o professor dizia, não eram os tipos de personagens, eles eram apenas detalhes que aumentariam a probabilidade de a história ser um sucesso. O "segredo" de um best seller é a procura por algum tipo de "santo graal", algo em que a história gire em torno. Por exemplo: em Harry Potter foram as horcruxes; em Senhor dos Aneis, o anel; em Crepúsculo ou 50 Tons de Cinza, já que citou o Anônimo, a vontade das narradoras de tornarem-se a esposa/igual ao amado; até mesmo em Lolita, não li mas acredito ser, experiências trágicas de amor de Humbert. Por isso, livros bibliográficos nunca serão populares. Outra, livros "modinha", com raras exceções ultimamente, ganham tanta popularidade, não por ser bem escrito, mas por ser escrito com base em clichês, o que o torna mais fácil de ser lido e chegar a ter tantos "leitores".

    Beijos

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    1. Acho válida sua opinião.
      Obrigada por ler.
      Abraço!

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  8. Oie Garcia, guria você quer largar a Fran e vim pro meu blog? ( cochichando pra ela não escutar) rsrsrs

    Esse foi o jeito de falar que amei o post e a forma que escreveu, Bem para mim a frase mais óbvia aí é " eles dão o que o público quer" isso é fato, mas também tem tanto ótimo livros tanto nacionais como estrangeiros que merecem serem Best, acredito que não seja pelo fato de não estarem em grande editoras, não ter muitas divulgações e mais o preconceito de muitas pessoas e isso é triste. Mas sabe o que faria qualquer livro virar um seller - na minha opinião - é a imagem de algum ator queridinho da moçada aparecer em alguma foto com o livro em mão. Proto serão esgotados rápidos. u_U
    Beliscões da Máh ♥
    Blog |Instagram |Twitter

    pS:.
    Fran, quero colunista como as tuas, se cuida. rsrsrsrs

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    1. Haha! A parte do ator queridinho eu também concordo! Haha! Muito bem lembrado!
      Obrigada por ler querida,
      Abraço!

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  9. Hello Ariadny, tudo bem??
    Gostei muito da sua perspectiva em falar de como nasce os best sellers. Realmente olhando por esse lado podemos ter uma noção de como fazer para sonhar que dê certo... Mas a insegurança as vezes domina nosso corpo e mente fazendo com que a gente trave. Mas gostei do que o seu professo disse e olhando por esse ângulo é bem verdade. PArabéns pela postagem. Xero!!!1

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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    1. Fico feliz que tenha gostado! :D
      Obrigado por ler.
      Abraço!

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  10. Ótimo post, Ariadny!
    Eu não sei bem o que pensar a respeito. A minha impressão é a seguinte: existem best sellers e best sellers. Alguns de baixíssima qualidade literária, mas que vendem muito por pegar num ponto chave de muitos leitores (como auto-ajuda, alguns tipos de YA como a febre vampiresca, etc - o que não significa que todos os livros dessas áreas sejam ruins). Mas também existem best sellers com um bocado de qualidades, sabe? E nesse meio ainda estão livros incríveis que quase ninguém conhece porque são pouco "populares". Enfim, é um assunto que rende muito hehe.
    Gostei da sua reflexão =)

    Um beijo,
    Carla
    http://linhas--soltas.blogspot.com.br/

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    1. Disse tudo, Carla. As pessoas tinham que dar mais valor aos livros poucos populares também!
      Obrigada por ler, querida.
      Abraço!

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  11. Realmente não existe uma fórmula de sucesso, nem só de J.K ou Tolkien vive a literatura, tem muitos não-ficção que são top! E então qual é a fórmula deles?
    Resposta: não existe.

    Cabe aos autores procurarem escrever uma história bem concisa que consiga conquistar os corações alheios, é muito difícil determinar o que vai virar best-seller ou não. Até mesmo a época vivida faz com que os gostos literários mudem.

    Gostei da sua postagem, faz com que cada um tente achar esta resposta.

    Abraço,
    Diego de França
    Leitor Sagaz | Participe do Top Comentarista | Grupo Amantes da Literatura no Facebook

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    1. Diego, acho que sua ideia poderia se encaixar a da autora de novelas que citei no início da postagem. É como se fosse uma espécie de loteria, talvez?
      Fico feliz que gostou.
      Obrigada por ler.
      Abraço!

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  12. Oi Ariadny,
    tudo bem?
    Sua coluna também foi o que eu esperei, parabéns!!! Você já começa com uma discussão que nos envolve. Olha, eu não sou escritora, eu sou uma leitora. E como leitora gosto de ler aquele romance que eu sei que não existe na vida real (sonhar as vezes faz bem), gosto de viajar em um universo de magia e fantasia, onde é seguro sermos heróis e vilões, gosto daqueles dramas que nos tiram o chão e nos acordam para o que está ao nosso redor, gosto de livros que são como um tapa, nos fazem refletir, questionar valores.
    Então, acho que a fórmula do seu professor está errada, não sei se ela serve para o mercado em termos comerciais, mas como leitora, eu gosto de ser incomodada.
    Beijinhos.
    cila-leitora voraz
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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